Pioneiros são homenageados em evento comemorativo aos 50 anos do primeiro voo do avião Bandeirante


Há 50 anos acontecia em São José dos Campos o primeiro voo do protótipo do Bandeirante, avião que deu origem à Embraer. O cinquentenário foi comemorado na noite desta sexta-feira com uma homenagem aos  pioneiros do projeto, que foi liderado pelo Coronel Ozires Silva, hoje com 87 anos.

O evento aconteceu no DCTA e contou com a presença dos pioneiros envolvidos em todas as etapas do projeto, incluindo os que trabalharam na área de gestão e administração. Alguns foram representados por seus familiares.

Durante a homenagem realizada na noite desta sexta-feira, o coronel Ozires Silva, engenheiro que encabeçou o projeto Bandeirante e depois se tornou o primeiro presidente da Embraer, ficou visivelmente emocionado com a homenagem. Em seu pronunciamento, ele relatou o empenho da equipe envolvida e agradeceu às Forças Armadas. Foi aplaudido de pé pela plateia de 400 convidados.

O Bandeirante

O projeto Bandeirante, então batizado de IPD-6504, foi iniciado em 1965 e desenvolvido por engenheiros do CTA (Centro Técnico de Aeronáutica), hoje DCTA.  O nome do projeto era uma referência ao Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento (IPD) do CTA, ao ano (65) e ao número do projeto (04).

Após três anos e quatro meses, o primeiro protótipo do avião fez seu voo inaugural. Foram mais de 110 mil horas de trabalho, com envolvimento de 300 profissionais.

O protótipo decolou às 7h07 do aeroporto do CTA e voou por cerca de 50 minutos, sob o comando do major-aviador José Mariotto Ferreira e do engenheiro de voo Michel Cury.

A aeronave foi o marco da indústria aeronáutica brasileira. Outros dois protótipos foram construídos e, ano seguinte, em outubro de 1969, foi criada a Embraer — Empresa Brasileira de Aeronáutica.

O projeto deu origem ao EMB110 Bandeirante, com 12 lugares na versão militar.  Em 1973, as primeiras aeronaves foram entregues à FAB.

A Embraer produziu ao todo 496 Bandeirantes, em variadas versões civis e militares, vendidos a 36 países. O avião foi utilizado em transporte de passageiros e de carga; busca e salvamento; reconhecimento fotográfico e patrulha marítima.

Em junho de 1975 o primeiro protótipo do Bandeirante fez seu último voo, no percurso entre o Aeroporto Santos Dumont à Base Aérea dos Afonsos e permanece exposto no Museu de Aeronáutica.

Após a fabricação de 498 aviões, a produção em série do Bandeirante foi encerrada em 1991, mas muitos aviões continuam em operação no Brasil e no exterior.

 

Neide Pereira, do Hangar Cultural e Somos Editora, abre cerimônia de homenagem aos pioneiros

 

]Abaixo, abertura feita por Neide Pereira, do Hangar Cultural, responsável pela organização da cerimônia e pelo VI Encontro da Cultura Aeroespacial – Jornalistas e Escritores de Aviação:

 

A sexta edição do Encontro da Cultura Aeroespacial – Escritores e Jornalistas de Aviação, se consolida como o único evento no Brasil que conecta profissionais do segmento da aviação e do espaço com os profissionais responsáveis por tornar a história e os fatos conhecidos do público em seus livros, matérias e publicações.

Foi graças aos registros existentes e à memória de muitos que estão aqui nesta noite que podemos contar a história de um avião que voou pela primeira vez há 50 anos, aqui mesmo nas dependências do DCTA. Um voo que mudou a história da cidade de São José dos Campos e do Brasil.

Este voo só foi possível porque um grupo de idealistas, determinado a realizar o sonho de fabricar aviões com a assinatura de brasileiros, trabalhou incansavelmente e, contrariando todas as previsões contrárias, criou a terceira maior indústria aeronáutica do mundo.

Um feito que até parece roteiro de filme, mas é tão real que muitos desses pioneiros estão aqui para provar que tudo é possível quando trabalhamos com determinação e em prol de um objetivo comum.

Hoje, definitivamente, é um dia especial para nós, pois temos o privilégio de comemorar com as pessoas que estavam lá no primeiro voo do Bandeirante e sentiram a emoção ao vivo de uma decolagem inédita e quase impensável.

Obrigada pioneiros e às suas famílias por estarem aqui compartilhando conosco emoções e histórias.  

Agradeço, também, nosso anfitrião o major brigadeiro Hudson Costa Potiguara pela parceria para a realização desta festa, às empresas que nos apoiaram e em especial às pessoas envolvidas na organização desta festa.

 

 

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